quinta-feira, 16 de março de 2017

Súplica à Senhora da Paz (Miraculosa)


Nossa Senhora, Mãe de Jesus,
Dá-nos a graça da tua luz.
Virgem Maria, Divina Flor,
Dá-nos a esmola do teu amor.

Miraculosa, Rainha dos céus
Sob o teu manto tecido de luz,
Faz com que a guerra se acabe na terra
E haja, entre os homens, a paz de Jesus.

Nossa Senhora, Mãe de Jesus,
Dá-nos a graça da tua luz.
Virgem Maria, Divina Flor,
Dá-nos a esmola do teu amor.

Se em teu regaço, bendita Mãe,
Toda a amargura remédio tem,
As nossas almas pedem que vás,
Junto da guerra, fazer a paz!

Pelas crianças, flores em botão...
Pelos velhinhos sem lar nem pão..
Pelos soldados que à guerra vão...
Senhora escuta nossa oração!

Miraculosa, Rainha dos céus
Sob o teu manto tecido de luz,
Faz com que a guerra se acabe na terra
E haja, entre os homens, a paz de Jesus.

Almas no exilio da escravidao
Pedem auxilio da Tua mao
E vao de rastos por toda a parte
De olhos nos astros, a procurar-Te!

Se a Tua Graça, por onde passa
Vence a desgraça mais desgraçada,
Nesta amargura que nos tortura
Põe a doçura duma alvorada!

Miraculosa, Rainha dos céus
Sob o teu manto tecido de luz,
Faz com que a guerra se acabe na terra
E haja, entre os homens, a paz de Jesus.

Fausto Neves (musica)
Carlos de Moraes (letra)

Escrito em Maio de 1940


O original da musica está no Santuario de Fatima e foi entregue ha cerca de 30 anos por Mário Neves, filho de Fausto Neves 
 

domingo, 18 de setembro de 2016

Nossa Senhora da Ajuda


Nossa Senhora da Ajuda
Por ti temos muito carinho
És a divinal padroeira
Da nossa cidade de Espinho.

Para acudir às agruras,
Das suas idas ao mar
Os antigos pescadores
à Senhora iam rezar.

Senhora da Ajuda te pedimos
Na tua linda capelinha
Protege a nossa cidade
Da qual  tu és a Rainha.

(Esmeralda Laranjeira)

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Agosto em Espinho


Espinho terra linda
Plantada à beira-mar
Quem visitar Espinho 
Tem vontade de voltar.

Mesmo juntinho ao mar
Tem hoteis e o casino
Cafés, bares, restaurantes
E a linda praia de Espinho.

E quando chega Agosto
Aparecem de todo o lado
Turistas e emigrantes
Para um dia bem passado.

A Rua 19 e o Parque têm novo visual
Árvores enfeitadas e decoradas
Algumas mensagens e poemas
Pintadas nos bancos, à maneira...
Do nosso poeta Manuel Laranjeira

(Esmeralda Laranjeira, Temas e Poemas)

sexta-feira, 10 de junho de 2016

"Meu" Largo do Rio Largo


Este Largo noutro tempo
Foi meu mundo de ilusões
Estádio e futebol,
arena para toureiros
e cenário para filmes
dos polícias e ladrões
Mas já foi há muito tempo.
Tempo de sã alegria
Tempo sem horas nem lei,
E de inocente aliança
Com saudosos companheiros.
Recordar é bom, eu sei
Mas jamais serei criança...

(José Ribeiro)

terça-feira, 19 de abril de 2016

António Estrela

LEMBRAR UM AMIGO

Recordo com saudade o António Estrela
companheiro de escola e da comunhão,
dos jogos da bola, da bilharda e do pião
e outras brincadeiras mais
que faziamos no largo
frente à loja dos meus pais.

É assim a vida...
para todos nós, um dia acaba
E o tempo corre, corre
Mas com a morte do Tono Estrela
É um pedaço da minha infância
que também morre.

(José Ribeiro)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Nossa Senhora da Ajuda


Nossa Senhora da Ajuda,
Ramo de manjericão.
Dai aos Três Anjos sardinha
E aos da Velha biqueirão.

Vamos ver o barco novo
Que se vai deitar ao mar.
Nossa Senhora vai dentro
E os anjinhos a remar.

Oh! Que lindos olhos pretos
Tem a filha do arrais.
Queria ser homem dela
E não me importava o mais!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

100 anos Sporting de Espinho

Parabéns Sporting Clube de Espinho

Ao nosso Espinho "Balente"
este grito está doente
porque o peito está fraquinho.
Fraqueza própria da idade,
mas nós, a gente vareira
sabe que 100 anos tens
e damos-te os Parabéns.

Já nos deste campeões
vitórias, ai que emoções,
e esse orgulho não se perde.
Todas as mãos vamos dar
E vão voltar a chamar-te
OS TIGRES DA COSTA VERDE!

(Manuel Sancebas)

sábado, 27 de setembro de 2014

Aí está a Padroeira!

O mar já se mostra embevecido
As rendas de espuma dão cor ao areal
O tom azul das ondas parece adormecido
Até o sol se espanta, não quer ser escondido
Porque o momento na praia é dominical.

Ó Santa Padroeira!
Nossa Senhora d'Ajuda
Criaste a alma vareira
A fé em Ti é tão forte
Que bem à nossa maneira
Irá connosco na morte.

(Manuel Sancebas)

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Parque João de Deus

Parque João de Deus

Como era lindo o nosso parque
Que belos momentos eu vivia...
Da janela da minha escola
Ficava fascinado com aquilo que via.

Margaridas, noivos e papoilas,
Foram flores que vi entretanto...
Entre muitas variedades
Eram lindas e gostava tanto

Os casais de namorados
Ali trocavam frases de amor
Nos bancos por ali espalhados
Beijos, abraços dados com muito calor.

Lembro que em toda a volta
Havia os muros de plantas
Escondidos da multidão
Faziam amor até às tantas.

Havia ali um parque infantil
Que era a delicia da criançada
Baloiços, escorregas e mais diversões
Sentia-me feliz com o cantar da bicharada

(Antonio Gonçalves - poeta espinhense)

sábado, 8 de março de 2014

Espinho enamorado

ESPINHO ENAMORADO

Ó mar, eu bem compreendo
Pois entendo, 
Da fúria a tua razão.

Como alguém,
Vai sofrendo, padecendo...
Não presta o amor d'um verão.

Ó mar, eu também amei...
Tanto passei,
Sofri os meus azedumes.

Não fiz como tu,
Calei, aguentei...
Só hoje te dou queixumes.

Se eu fosse o mar, certamente,
Quem desmente?
Também só queria pra mim
Espinho sempre atraente
A toda a gente,
Que a sorrir mostra marfim.

(Manuel Sancebas)

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

saudades


A nossa infância já cá andou,
por cá os nossos sonhos nos criaram,
o nosso berço que nos embalou,
isso tudo, já tudo, nos tiraram.

Esse velho berço outros criou,
os nossos sonhos outros já sonharam.
Mas nem tudo para nós acabou,
outros, berços e sonhos, nos legaram.

O tempo parece que passou,
nem berços nem sonhos acabaram.
A vida, que já os eternizou,

nos nossos corações também deixou,
daqueles que cá tanto nos amaram,
a terna saudade que nos ficou.

(José Augusto Curral)
5.3.1921 - 26.11.2013

sexta-feira, 5 de julho de 2013

S. João do Rio Largo


Ó Sancebas é melhor
Tomar a festa a teu cargo
Pois tu ainda és o maior
Deste nosso Rio Largo

Disseram ao S. Joao
Para ir p'ra outro lado
S. Joao disse que nao
Que aqui é considerado

S. Joao santo com sorte
Que os outros santos nao têm
Pois escolheste o norte
E fizeste muito bem

Ó meu rico S. Joao
Ó meu santo queridinho
Tu bem sabes o que é bom
E escolheste Espinho

Dança o rico dança o pobre
E tambem o esfarrapado
Tambem dança gente nobre
E o rico endinheirado

Ó meu rico S. Joao
S. Joao da orvalhada
A este velho que é bom
Arranja uma namorada

Ó meu rico S. Joao
De ti me vou despedir
Com todo o meu coraçao
Até ao ano que ha-de vir.

(Zé Herminio)

domingo, 12 de maio de 2013

Tigres de Raça - Sporting Clube de Espinho - Voleibol Senior


Viajam por este país
Numa união sem igual
Vão mostrando o cariz
De ser Campeão Nacional!

De preto e branco, vestidos
E um deles de cor-de-rosa
Sempre muito destemidos
Fic’ a "Luz" em polvorosa.

Sobre aquela bola que voa
Seus dedos fazem magia
No Porto ou em Lisboa
O Maia é pura energia!

O "líbero" Hugo Ribeiro
O melhor de Portugal
"Enche" bravo o campo inteiro
Defesa não há igual!

Eles saltam como gazelas,
O Filipe e o Valdir
Ataques que fazem mazelas
Aconselho a fugir!

Alaniz e Flávio Cruz
Com o jogo mais pensado
É a alma que reluz
E a bola p'ró outro lado!

Com serviço flutuante
O Jonathan salta e lá vai
Faz da bola um "volante"
Que ninguém sabe onde cai.

Quando entra o Monteiro
Ou o "Simãozinho" Teixeira
Está em campo o viveiro
De uma escola verdadeira!

Mosquera é o "bom" gigante
D' ataque demolidor
Na bola curta é possante
E no bloco, um doutor!

Não esqueçamos o Malveiro
Também de grande estatura
Mostra alma de vareiro
Com sua enorme bravura.

É Rui, o jovem Moreira
Mais um grande Campeão
É vê-lo na claque vareira
Depois de tão grave lesão!

Ainda um "jovem menino"
Nuno Silva em formação
Nada tem ele de franzino
Mais parece "um tubarão".

Iglésias já chegou
Traz nome de grande cantor
Nas bancadas encantou
Tem pinta de jogador!

Com o Hugo a professor
E o Vitó a ajudar
Temos grande treinador
Pr'ó "caneco" conquistar!

Não podemos esquecer
Zé Ribeiro e Manel Dias,
Que ajudam a vencer
Mesmo nas "fases" mais frias.

O maior em Portugal
É o nosso "balente" Toninho
No voleibol Nacional
Ele é o "Tigre d' Espinho".

Equipamentos bem tratados
É com Zé Manel e Costinha
Já os "moços" magoados
São p'ró Luís, o "mãozinha"!

Miguel Costa, o "doutor"
De alma e coração
Um jovem bem promissor
Que cura qualquer lesão.

E temos o Pedro Teixeira
O homem da "informação"
Mais outro de alma vareira
Verdadeiro campeão!

Não poderia eu esquecer
O Sérgio lá no Brasil.
O lema dele é vencer
Ele que vibra como mil!

São Tigres de coração
Enormes na humildade
É d'Espinho o Campeão
Que nos dá felicidade.

(Pedro Figueiredo Silva)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Festa de Nossa Senhora da Ajuda



Nossa Senhora da Ajuda
Que estais neste cantinho
Na capela da Rua 8
Nesta cidade de Espinho.

Todos os anos se faz
E com muita devoçao
Uma grandiosa festa
E enorme procissao

E lá sai a procissao
As ruas a percorrer
E passadas quase tres horas
É que volta a recolher.

Estalam foguetes ns ar
Está a sair a procissão
Começam a perfilar
E com respeito lá vão.

Estão presentes as cruzes
De todas as freguesias
Uma procissão como esta
Não se vê todos os dias.

Pois são muitos os andores
E muito bem enfeitados
Hoje sairam à rua
Que há um ano estao guardados.

Os andores lá vão seguidos
A organização faz assim
A Nossa Senhora da Ajuda
É que fica para o fim.

Pois é ela a padroeira
Desta cidade de Espinho
Que nunca nos falte com nada
Saúde, paz e carinho.

Tambem o pálio é levado
Por um grupo militar
Jesus pregado na cruz
Para poderes adorar.

No fim seguem as bandas
Suas marchas a tocar
E pedir a esta Santa
Para o ano poder voltar.

No fim vem a multidao
Suas promessas pagar
E rezando à padroeira
Para ela os ajudar.

Temos a benção ao mar
Com um grandioso sermão
Pedindo à Senhora da Ajuda
Para nos dar sua benção

É gente pot todo o lado
As ruas estao cheiinhas
Isto é um grande negócio
Para estas barraquinhas.

Esta grande romaria
Que se faz nesta cidade
Vem os novos e os velhos
Para gozar nao ha idade.

A capela está linda
Rodeada de flores
E a sua grande beleza
É o enfeite dos andores.

A procissao chega ao fim
Para este ano terminou
A multidao vai embora
Porque a festa acabou.

domingo, 17 de junho de 2012

Fado da Japoneira

FADO DA JAPONEIRA
I
Japoneira, Japoneira
Do cemitério de Nogueira
São meigas tuas folhinhas
Estás caladinha e não ralhas
Diz-me entao quem agasalhas
Debaixo dessas ranquinhas!
II
Ó japoneira querida
Por todos és conhecida
É tão triste a tua ausência
Tu, japoneira com dores
Vais deitando tuas flores
Em cima da inteligência.
III
Os teu botões cor de ouro
Quis ter aos pés teu tesouro
O que abraçou rico e pobre
E tu, linda japoneira
Vais com as raízes à beira
Do berço da alma nobre!
IV
As tuas flores encarnadas
Sao lagrimas orvalhadas
Sempre a cair nesse chao
Sao tao brandas e tao belas
Que o povo tem o mais delas
Metidas no coraçao
V
Ó raíz que vais andando
Por sobre terra mimando
Quer-lhe chegar com as pontinhas
Ao amigo que eu conheço
Faz-me o favor que eu te peço
É dar-lhe saudades minhas
VI
Ó raparigas casadas
Que vos achais magoadas
E o coração em pedaços
Lembrai-vos dessas mãozinhas
Tantas mães e criancinhas
Foram salvas nesses braços
VII
Ó noites amarguradas
Tantas delas pernoitadas
À sombra do acipreste
Às vezes fico a pensar
Que ainda has-de gozar
O bem que por cá fizeste
VIII
Essa tragédia hedionda
Onde oculta a negra sombra
Nao deixeis de ir a Nogueira
Ide ver as flores bonitas
Quando vos vires aflitas
ide ao pé da Japoneira
IX
Ó Pedreira da Murraça
Que nao vejo o que te faça
Dou-te todo o meu prestigio
Tantas noites tantos dias
Fugindo ao inimigo
Foste o meu esconderijo
X
O regime de um carrasco
Que para o povo foi mais fraco
Como diz o vocabulário
Eu aqui vos deixo dito
Que muito me vi aflito
Este pobre Apolinário
XI
Morre o rico, morre o pobre
Morre o berço da alma nobre
O morrer é uma carreira
Morre o homem da ciência
Morre a grande inteligência
Morre também a japoneira

(Apolinario Gonçalves)
Julho de 1942

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Espinho a sorrir


Espinho cidade nobre
cheia de amor e carinho
o país era mais pobre
se não existisse Espinho.

A alegria de viver
nesta cidade querida
é caso para dizer
que feliz eu fui na vida!

Linda cidade de Espinho
como tu não ha igual
do Algarve até ao Minho
tu orgulhas Portugal.

A tua linda esplanada
que olhando se vê o mar
por isso és adorada
por quem te vem visitar.

Quem te visita, Espinho
parte cheio de saudade
Porque recebe carinho
que lhe dá esta cidade.

Espinho sempre a sorrir
nesta alameda querida
que tão bem veio servir
e a Espinho dar vida!

(do poeta espinhense José Herminio)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Espinho


aqui
eu ganho o ritmo da espuma
das asas da lonjura e destas dunas
que viajaram no vento

aqui
te beijo apenas no que escrevo
esta imagem de ti bem à medida do
incomensurável

aqui
estou mais só e estou mais perto
sei que não tens contornos e és da cor
das tardes insubmissas

aqui
saio de mim e sou maior
pois descubro que falas infinito
e sabes a dilúvio

é aqui
que tudo és tu

(Anthero Monteiro, MARíntimo)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Balada do Mar de Espinho

Eram só três pescadores
Ou seriam trinta e três.
Quem vai agora contá-los
Um a um de cada vez?
Eram poucos e sozinhos
Mas foram eles os padrinhos
Desta cidade afamada
À beira do nosso mar.

Deram-lhe o nome de Espinho,
Outro também lhe servira
Pelo traçado das ruas
Onde o vento corre livre
Sem medo de tropeçar.

Com muito engenho e sucesso
De pequenina cresceu
Até à saturação.
Tem de tudo que é progresso
Menos ódio e poluição.

Entre o mar e o casario
As palmeiras logo acenam
O seu fraterno sinal,
A quem de longe ou de perto
Volta sempre com prazer
Em cada quadra estival.

Cidade de oiro e lazer,
Ó jóia da natureza,
A tua maior riqueza
Não vem dos jogos de azar,
Vem da força do trabalho
E dos encantos do mar!

Edgar Carneiro, Mar Amar - Poemas do Mar de Espinho,1992

Nasceu em Chaves em 1913, mas, tendo ido leccionar para a zona de Espinho, ficou a viver nesta cidade desde 1967. É pai do poeta, já falecido, Eduardo Guerra Carneiro. Com 96 anos, planeia ainda publicar o seu 12.º livro de poesia, pois continua a escrever assiduamente. O seu nome consta do Dicionário Cronológico de Autores Portugueses (Publicações Europa-América – Vol. IV).
O Município de Espinho atribui-lhe, no dia da cidade (16/6), uma segunda medalha de mérito. Fez parte desde a criação, há quase 12 anos, da Onda Poética, coordenada por Anthero Monteiro.

domingo, 30 de outubro de 2011

Viva D'Espinho


Já deixamos a sardinha
Aos freguezinhos entregue,
Pois quando ela é assim fresquinha,
Vale mais do que galinha,
Não há manjar que lhe chegue

Viva d´Espinho,
Não tem rival,
Com pão e vinho
Põe a caminho
Qualquer mortal.

Córadas, frescas, redondas,
C´oas ancas a dar a dar
São bem a imagem das ondas
São bem a imagem do mar.

Basta o pregão afamado
Oh! Fresca d´Espinho viva
Para d´um e d´outro lado
Vir o povo entusiasmado
Com a “massa” respectiva.

Viva d´Espinho
Não tem rival,
Com pão e vinho
Põe a caminho
Qualquer mortal.



Canções da Beira-Mar – Fausto Neves
letra - Carlos de Moraes

(pregao da Vendedeiras de Sardinha)

sábado, 17 de setembro de 2011

Palheiros de Espinho

...
Onde morava a vareira
De "ancas a dar, a dar".
Num canto a dorna, a masseira,
O forno, o lume, o lar!

Cama em chão de areia
E água benta, o terço
Rezado à luz da candeia,
"Menino-Jesus" no berço!

Só me pesa não poder
Recuar e me ser dado
Poder voltar ao passado
Para com Deus eu viver

Na pureza e no carinho
Das nossas gentes de outrora,
Longe dos cheiros de agora,
Num palheirinho de Espinho

(in Minha Terra e Terra dos Meus Avós - Fernanda Miguel)

domingo, 21 de agosto de 2011

À noite, o mar

Só esta aragem pura;
Só este aroma,
Olor da maresia;
Só este som do mar
Em maré-cheia;
Só esse braço quente
Na cintura
E o gosto de sentir,
Ainda, à luz do dia,
O quebranto da onda
Nas areias.

Edgar Carneiro, Mar Amar - Poemas do Mar de Espinho

domingo, 31 de julho de 2011

Saudades

Palavras fora da boca,
São pedras fora da mão.
Abençoadas pedradas
Que as tuas falas me dão!

As tuas palavras
São tão maviosas,
Que sabem a frutos
E cheiram a rosas!

Eu não compreendo a saudade
Que eternamente em mim vive...
Saudades que tem saudade
De saudades que eu já tive!...

Saudades das ondas
Que ao longe morreram...
Saudades dos beijos
Que nunca se deram.

Musica - Fausto Neves
Poesia - Carlos de Moraes
Cançoes da Beira-Mar 1931

(dedicado à sua esposa)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Vareira (Cançao de Espinho)


Minha linda vareirinha, tão vaidosa...
Quem te fez assim tão linda, minha rosa?!
Ai certamente o mar dolente sobre a areia,
Foi quem te deu toda essa graça de sereia!

Vareira...
Santa da minha fé!
- não dês ao lindo pé
...dessa maneira!

Tu dás ao pe desse jeito, para que o vejam...
E olha as ondas gostam tanto que até o beijam!
Ai certamente o mar dolente ó vareirinha,
Foi quem te deu toda essa graça de andorinha!

Vareira...
Santa da minha fé!
- não dês ao lindo pé
...dessa maneira!

Se não fora o teu encanto permanente,
Nem o mar valia tanto, certamente!
Vendo o teu corpo airoso e lindo, as próprias ondas
Sao mais coquettes, mais perfeitas, mais redondas!...

Vareira...
Santa da minha fé!
- não dês ao lindo pé
...dessa maneira!


musica - Fausto Neves
letra - Carlos de Moraes
(dedicado a Maria Fernanda Pinheiro de Morais)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Amar Espinho


Espinho te queremos tanto
Tu sabes dar amizade
Tu és terra de encanto
De amor e de saudade

Espinho és uma flor
Nascida à beira-mar
Desabrochando, dá amor
Que as pétalas nos vêm dar.

Gosto de ti, é verdade
Porque havia de negar
A minha grande vontade
Era um dia te beijar.

Tanto amor em ti cintila
Espinho linda cidade
Foste lugar, foste vila
E chegaste a cidade.

Ai como é bom amar
Também é bom ser amado
Senão é como nadar
Em cima do mar coalhado

Às vezes fico a pensar
Como há tanta crueldade
Que queria poder acabar
Para nascer a amizade.

(do poeta espinhense José Hermínio)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

rosa Vareira


A lavar e a estender
Deitei a roupa a corar,
Meu amor é pescador,
Pesca peixinhos no mar.

Enche o mar, vasa a maré,
Fica a praia no deserto;
Vai-se um amor, fica outro,
Não ha ditado mais certo.

Vós chamais-me vareirinha,
Eu gosto de vareirar,
Eu sou vareira de Espinho,
Vou à sardinha ao mar.

Já vi mar e já vi terras,
Tambem já fui marinheiro,
Ja tive amores de graça,
Agora nem por dinheiro.

Se o mar tivesse janelas,
Como tem embarcações,
Nem Lisboa lhe ganhava
Em certas ocasiões.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Vareira de Espinho


Vareira, minha regateira,
Ouve esta cantiga
Que te vou cantar,
Vareira,
Linda rapariga,
Sereia do mar.

Vareira, minha regateira,
Ai vou ter ciúmes
Da morena areia,
Vareira,
Diz-me os teu queixumes,
Que dor te alanceia.

Vareira, minha regateira,
Minha sedutora,
Rósea concha em flor,
Vareira,
Onda embaladora
De rendas de amor.

Vareira, minha regateira,
Pega na canastra
Vai apregoar.
Vareira,
"Vivinha da costa"...
"É do nosso mar"...

Vareira, minha regateira,
Deixa lá o barco
que anda no mar.
Vareira,
Vem escutar que eu parto
Para não voltar

Vareira, minha regateira,
Ouve quem te abraça
A cantar baixinho.
Vareira,
Cachopa de raça,
Bem filha de Espinho.

de Manuel Laranjeira (neto)
em prosa e verso

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Casa Abatida




António Ferreira Soares *
Nascido em Loureiro de Baixo, em Grijó, a 28 de Janeiro de 1871
Nunca escondeu o amor e paixão que tinha e dedicava à sua Terra Natal, mas também verdade que nutria pela Freguesia de Nogueira da Regedoura uma forte paixão.
Prova cabal que podemos amar mais que uma Terra na qual tenhamos criado raíses.

De familia muito modesta, cedo inciou estudos dirigidos à vida eclesiástica. Era o corrente, nas aldeias, com crianças da sua condição. E não deixava de ser também frequente ao fim de algum tempo os jovens desse modo encaminhados no estudo buscassem novos rumos.
Assim aconteceu com António Ferreira Soares, que fez no Porto o que ao tempo se chamava "repetir os preparatórios" e em 1899 concluía em Coimbra o curso de Direito.
A ciência jurídica não o entusiasmava e quis para si o estatuto de "músico afinado"- o aluno não dava nas vistas por ser bom nem por ser mau. Lia muito, fazia traduções para editoras, escrevia para jornais, versejava, era republicano.
E no seu 4º Ano foi a concurso para professor de liceu- 1ºgrupo, Português e Latim.

Era um conjunto de provas exigentes em que pontificava um mestre de latinidade, Professor Dantas. Prestou as provas com brilho. E concluído o curso de Direito.

No ano seguinte casou em Nogueira da Regedoura (contígua a Grijó) e foi professor do liceu de Viana do Castelo.

No Jornal REPÚBLICA de 4-10-1960, comemorativo dos 50 anos do regime republicano, Rodrigo Abreu evoca os tempos da propaganda naquele distrito e lembra:= Era então professor do Liceu de Viana o escritor e jornalista dr. Ferreira Soares, que em Viana dirigia a politíca republicana com tanta dignidade e talento..................»
e noutro passo:Em 7 de Junho de 1908, tendo como director o dr. António Ferreira Soares, sai o bi semanário O POVO, que desde logo ocupa papel dominante de combate e de doutrina, com uma colaboração verdadeiramente notável onde, além do seu director, jornalista brilhante, doutrinador admirável, prestigioso, colaboram.........»e segue-se uma longa enumeração com nomes como José Caldas, João da Rocha, Augusto Gil, António Granjo, Álvaro de Castro, António José de Almdeida, GUERRA JUNQUEIRO, JOÃO DE BARROS, Pedro Vitorino, Cláudio Basto, D. Ana de Castro Osório e Bruno Sampaio.

Mas Ferreira Soares não descurava a função docente; e pela vida fora a cada passo se lhe dirigiam senhores que em rapazes tinham sido seus alunos e que guardavam do professor uma recordação grata e afectuosa.Com o advento da República teve maneira de descansar um pouco das lides que o assoberbavam e nessa época deu colaboração a vários jornais e revistas - ainda O POVO, a AURORA DO LIMA , à REVISTA LUSA, entre outros.

Pela sua luta contra a Monarquia passou vinte e tal dias na prisão.

GOVERNADOR CIVIL DE VIANA DO CASTELO

Logo após a Monarquia do Norte a qual lhe tinha custado vinte e tal dias na prisão é convidado e aceita ser Governador Civil de Viana do Castelo para evitar perseguições aos monárquicos».

No opúsculo que publicou a seguir - VIANA NA INSURREIÇÃO DE 1919 - a forma literária transcende hoje o interesse, mais local, dos sucessos narrados.
CARGO DE CONSERVADOR DO REGISTO PREDIAL DE SANTA MARIA DA FEIRA

Perante este novo desempenho passa a residir em Nogueira da Regedoura, mas a sorte depressa lhe começa a ser adversa.

Fica viúvo aos 50 anos de idade, passa a residir com os seus 4 filhos.

Vive alguns anos de vida repousada em que as suas funções oficiais não lhe exigem o tempo todo. Passa a viver para os filhos e afeiçoa -se às suas flores e aos seus pinhais, vizinhos de Grijó.

DEDICAÇÃO À LEITURA CONTEMPORANÊA , SEM ABANDONAR OS SEUS CLÁSSICOS COMEÇA ESCREVER O ROMANCE :- CASA ABATIDA

Passa a acompanhar com maior frequência as leituras contemporâneas, sem contudo abandonar os seus clássicos; dá colaboração assídua à revista PORTUCALE, do Porto e a outras publicações; e sem pressa, vai elaborando o romance CASA ABATIDA com o sentido posto no tempo e no lugar em que nasceu.

No seu encantamento pela lingua latina, e para exemplificar a riqueza de seu léxico, mais de uma vez lhe ouvi que em nenhum outro idioma existia palavra para designar o pai que perde o filho. Mas o termo lá estava, no Latim de Cicero: «orbusx» o que perde o olho; e, por extensão, o que perde um filho.....

Por duas vezes veio a sofrer um rude golpe.Tinha tido os desgostos de perder irmãos, de enviuvar.

Mas eram situações que a vida comportava. Agora, não! Indcependentemente das circunstâncias, e para além das circunstâncias, a dor era anti-natural, incomportável. E não encontro onde ele tenha atingido, antes, a eloquência bíblica, viril, com que fulminou céus e terra nesse escabujar.

Em 4 de Julho de 1942 a PIDE/DGS na pessoa do seu filho Dr. António Carlos de Carvalho Ferreira Soares, presenteia-o com o assassinato. resiste e ganha tempo para publicar em 1943 a CASA ABATIDA , que dedica á memória do seu filho.

Quando trabalhava afincadamente para outra obra de tomo - O TROMBUDO- que ia dedicar á memória do seu filho Armando tendo sido também ele médico.

Não acabado por ter falecido em 9 de Janeiro de 1945.


DA LEITURA DA CASA ABATIDA

A cada passo se topam as raízes, muito à vista, quye prendem o autor à sua terra.
«Aldeia emproada e erguida nas tamancas era a de S. Salvador».
abre a narrativa; e só o cendal da fantasia evita que ao nome do padroeiro da terra se siga o topónimo, a completar a designação antigaz - S. Salvador de Grijó.
Mas logo vêm as coordenadas:
«Outra assim não havia do Porto para cá, até onde a estrada real avista a ria de Ovar e desde mar lá-baixo, pouco mais dum légua, até lá-acima ao mar de serras que vêm de riba-Douro e param além absortas.»
Alude-se em seguida ao «título bolorento de couto», que Grijó efectivamente teve, e a
«os vinte lugares de roda ao convento ermo e, à ilharga do convento, a igreja enorme, uma pompa de pedra que ao fundo de amplo terreiro está virada ao pôr do sol».
São depois os sinos todos, com nomes próprios hoje talvez obliterados na memória do próprio povo de Grijó - o Sino-Bento, o Caldeiro, o Pequeno - e é
«aquele Sino Grande de tom grave a retumbar, o Sino Grande de S.Salvador»
cujo clamor
«quando zunia o sul, chegava aos altos da Rechousa quase á vista do Porto; e, com outro vento e a outro lado, ia para além da Malaposta por onde a estrada de Lisboa.»
Nesta identificação de coisas e lugares não se pode esquecer o dado histórico referido ao filho de D. Sancho I cujas cinzas repousam no Mosteiro de Grijó e que ali tem estátua jacente. É aliás um trecho de rara beleza;
«S. Salvador.........tinha musgo de séculos nas pedras do mosteiro e nas do Cruzeiro Velho ali à beira onde caiu e se esvaiu em sangue o neto do primeiro rei afonsim, um D. Rodrigo Sanches.
Se foi em guerra qaue caiu o infante, ou em justa por amores, não vem a limpo nos livros.Lá empoçou de sangue real aquele chão e lá disse o adeus à vida, virado à nesga de céu que ali se encurva. Por sinal, a cerca altissima do mosteiro passa tão rente ao sítio onde o infante acabou, que embarra-lhe com a sombra; e por dentro da cerca, mesmo depois que se foram os frades, ainda ali ficaram corcovadinhos e chegados um ao outro os vultos de dois cedros anciãos com as grenhas pendidas para fora, num cicio de reza à cruz do morto.»
Não será indiscreto referir que esta página, escalando os muros da sua propriedade, terá reforçado o interesse que os Senhores da Quinta do Mosteiro certamente já tinham na conservação da formosa relíquia; pois fizeram substituir estes cedros, quando acabaram, por outros que lá estão, carinhosamente plantados no mesmo sítio.
A PANORÂMICA DE GRIJÓ:«S. Salvador desce de manso a encosta que vem da estrada real em direcção ao poente» e «abrange toda a redondeza desde o Outeiro da Senhora da Saúde (dos Carvalhos, acrescentamos nós) até ao Outeiro de Gesto» (a elevação neste lugar de Moselos, da Feira, mais conhecida por Monte do Murado).
A encosta vem da estrada real em direcção a poente/não havia outra aldeia assim do Porto para cá, até onde a estrada real avista a ria de Ovar - vistas colhidas por uma câmara que só pode estar a sudoeste, onde é Nogueira da Regedoura.
A referência ao Pinheiro das Sete Cruzes, árvore de forca improvisada por invasores franceses à face da estrada logo a seguir a Grijó (e acabada de cair há anos, carcomida): a «sequência» dos carros de bois que começavam a zumbir lá longe, ao passarem nos Vintoito (lugar ainda hoje de feira mensal em Lourosa, alternando com a dos dez) e que à passagem no Picoto já eram inferneira que forçava os carreteiros a falar aos berros, como os homens do mar; as « vizinhas caldas na baixa de S. Jorge onde rasteja o rio Uima» - outros tantos dados referenciais.
E vem o que poderá chamar-se o ex-libris..... do livro, tão mal entendido na capa da 2ª edição:
«Apartado do vaivém, mais abaixo onde a encosta embrandece num conchego de regaço, é que está o mosteiro, de frontaria toda em pedra com musgos encanecidos. Ali no coração da aldeia não se cansa de ver passar as eras, sózinho desde a saída dos Crúzios, e sózinho porque a cerca muito alta sustém a distância de respeito as casas e lugares, dizendo a tudo e a todos: ah-ou, "fasta p´ra trás!
Fugiram os frades todos,Ficou o mosteiro só...»
Escamoteados os dois primeiros versos da cantiga, que é onde nasce a rima:
Atirei com balas d´oiro ao mosteiro de Grijó....
Um dado local exacto, sem disfarce de nomes:
.........em S. Salvador, só num ano, acabaram formatura seis doutores e padres:-dr. da Quinta, o da Zenha, o Rios, o da Fábrica, o Ricardo e padre António das Vendas.»
Sem nada a ver com as pessoas e os sucessos nela postos por fantasia, a Casa das Presas tem um suporte real de reminiscência, um paradigma: a Zenha (açudida agora mesmo na última transcrição), casa ilustre de lavoura a dois passos do sitio onde o autor da narrativa nasceu; por onde passou horas de infância e de juventude; e onde fez amizades que duraram toda a vida (fora da familia ou do âmbito dos condiscípulos só com os Senhores Milheiro, da Casa da Zenha, ouvi algum dia o meu Pai tratar e ser tratado «por tu»).Foi na Zenha que em tempo de quadrilhas de ladrões, a seguir à época conturbada das lutas liberais, se consumou um assalto que perdurou na tradição local. A alusão ao lôbrego acontecimento tem seu quê de narração repetida à lareira muitas vezes:
«.......... nos fudégfeos o moinho velho onde a malta dos ladrões fechou o moço (há quantos anos!) e ele arrancou a tábua do soalho e saltou pelo cabouco mas partiu a perna e teve de ir de-gatinhas rogar quem acudisse (há quantos anos foi isso!)
É claro que as descrições não coincidem. E algumas daquelas águas da Casa das Presas poderão ter sido «canalizadas» da Quinta do Mosteiro ou doutro sítio qualquer, ou terão simplesmente brotado do rico manacial da imaginação do autor.
«Um Bernardes imaginoso e ardente» precisamente lhe chamou João Gaspar Simões no DIÁRIO DE LISBOA de 18-11-43, em larga apreciação que finaliza assim:
«Atrevo-me a considerar esta CASA ABATIDA como uma das obras mais formosamente concebidas e mais famosamente realizadas da nossa moderna literatura. Não me admirava vê-la um dia figurar entre as obras clássicas das letras portuguesas, ainda mesmo que o seu autor não escrevesse mais nada, se não nos ersquecermos de que uma obra para ser clássica não precisa de ser inteiramente perfeita.»
É de notar que só mais tarde o eminente homem de letras veio a saber alguma coisas mais do autor do livro.
Propus-me localizar a história efabulada em CASA ABATIDA, tarefa sem dificuldade: era só escancarar uma porta propositadamente deixada entreaberta.
*Pai do Dr.Antonio Carlos Ferreira Soares (Dr.Prata)